A morte de um poeta

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Não foi a morte de Castro Alves, Mário Quintana, Cecília Meireles, Mário de Andrade ou Carlos Drummond de Andrade, entre tantos outros. Desta vez foi à morte de um homem simples como alguns deles também foram. Provavelmente sem muito estudo ou sem condições de frequentar grandes centros escolares, universidade, um homem cercado pela vida dura das periferias, dos guetos em um tempo que as comunidades eram chamadas de favela, morro e por aí vai. Um tempo que muitos ouviam o samba do mestre malandreado Bezerra da Silva e muitos outros bambas.

A morte de um poeta é implacável e nada tornará a morte em si admissível se o nome for mencionado agora ou depois – uma vez o mesmo falou: “O RG só serve para você não ser enterrado como indigente, mas não lhe impede morrer”.

Ao ouvir isso podemos ter ciência de que eram tempos difíceis, a repressão sempre esteve presente, seja ela vinda da mão da polícia ou de outros moradores que estavam ligados ao crime. E já sabemos que a segurança de uma comunidade não vinha da segurança pública e sim dos próprios moradores que carregava ela no peito.

Um amor incondicional que vez da terra da garoa grande inspiração para tantos mestres da música e da literatura. Recordo-me dos grupos “Demônios da Garoa”, “Fundo de Quintal”, dentre outros que declararam o seu amor, a sua paixão por São Paulo, pela sua gente, pelos bairros e pelas favelas.

Caminhos e longas histórias que deixaram grandes lembranças, a onde a saudade bate sem singeleza. O tempo em si faz o seu papel retorna ao pó homens e mulheres, mas não as suas palavras, provavelmente eu ou você certamente seremos lembrados, caso contrário, deixaremos também as nossas marcas.

Não tenho medo da morte

Nem quando ela surge de surpresa

Espantando de mim o brilho e o calor do meu corpo.

 

Já fui amante da vida, brinquei com ela por bastante.

Deitei-me sobre a grama, sobre a terra molhada.

Senti o aroma das meninas.

 

 

Sonhei por demais nesta vida

E fiz pouco daquilo que sonhei

Mas não deixei de sonhar se quer uma vez.

 

Sou fruto da simplicidade

Um rapaz comum que foge da vaidade

Do pecado insolente.

 

Posso ter vários personagens

Mas desejo carregar meu nome

Tito Araujo, Erik.

 

Serei passado, sou o presente.

Tornarei o futuro e retornarei a ser passado

A morte sempre deixa um motivo.

 

Uma doença que nos acompanha

Uma tragédia, um acaso.

Inexplicável é acharmos que seremos eternos.

 

Então, um brinde aos corpos.

Aos escritores e seus amores

A morte de um poeta junto as suas enigmáticas palavras.

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