A Doce Saga

Recordo tê-la ouvido falar – “se precisar de mim, estarei aqui no chão morrendo”.  – E, de fato, ela morreu. A sua morte não foi velada e nem muito menos tomou os mesmos desfechos das outras mortes naturais que surgem a cada hora ou minuto. Se agora eu sei, e espero não estar enganado, acredito que a morte dela foi proposital. Sei disto, devido os diversos murmúrios que percorriam por todos os cantos, sob meu rosto deixo transparecer o mesmo espanto das outras pessoas, afinal isto não era nenhuma surpresa, pois ninguém imaginava que ela se tornaria uma suicida. Os mais íntimos ficaram pasmos, contudo mesmo assim não se via muitas lágrimas, e lá estava eu junto aos incontestáveis questionamentos naquele mesmo chão onde ela havia se tornado a própria vítima.

Ao que se parece, ela era jovem e não gostava de possuir apenas o teu próprio nome em específico, os diversos apelidos eram mutáveis como as estações do tempo, e isto, de alguma forma era normal, pois também já fomos várias pessoas em uma só – e este fato me fez lembrar, das três existentes santidades num único Deus – o engraçado, era recordar que ela nunca demonstrava palavras de fé e sempre ocultava qualquer sentimento de medo. Aquele ambiente por si só transpirava muitos mistérios, eu lutava para não observar as reações daquelas cinco pessoas penetradas que estavam em volta de uma marca de giz, onde demarcava em qual local havia sido encontrado o corpo. Agora, já não havia mais nenhum vestígio e mesmo assim eles continuam ao redor daquela demarcação como se fossem peritos, investigadores.

A marca no chão já não era apenas uma prova, as diversas interrogações naufragavam dentro da minha cabeça. A suspeita do suicídio, era como um mar em dias de fúria e era certo que haveria o risco de nos depararmos com um breve naufrágio.

***

 

Um comentário sobre “A Doce Saga

  1. Admito, antes mesmo que me acuse, lendo seus textos enxergo minha própria esquisitice. Mas, ao contrário do que qualquer um irá dizer, somos a causa e a consequência do que fomos ou somos.
    Um dos maiores pesares que iremos carregar, sermos bem intencionadas, o fato de não ter tido a coragem de utilizar o “sim” ou o “não” no momento necessário. Como se fosse inconcebível a idéia de frustrar, ferir ou rejeitar. Mas nunca é o que acontece, numa ânsia pavorosa de ser notada, amada.
    Talvez exista um montão de gente que só não foi mais amado por ser tolo(a).
    Ps: textos maravilhosos

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