Contrata-se um Escritor (Parte II)

contrata-se um escritor

Nem sempre foi fácil encontrar bons escritores e, talvez por sorte ou azar e até mesmo por incertezas que a vida nos impõem. Afinal, ser um escritor não é moda, status ou qualquer definição barata que faça de mim ou nós algo especial, contudo no fundo acreditamos possuir poderes ocultos, coisa da qual somos descrentes por mensurarmos incansavelmente nossas vulneráveis imperfeições.

A indefinição do gênero, homens ou mulheres, deuses, deusas, deixarei que vocês fiquem à vontade para incluírem os teus remorsos e não pretendo intensificar o pluralismo, pois desejo-lhes a redenção literária – contrata-se um escritor.

Entrego-me ao acaso já que dele faço parte e, recordo-me do tempo em que as palavras não saíam da minha boca, não pela falta de coragem que por um tempo eu achava não ter mas, sim pelo perigo que elas poderiam causar ao saírem como facas, flechas ponte agudas bem afiadas, dispostas a ferirem por muito ou pouca coisa – “as palavras ferem mais que um tapa”, já ouvia isso da minha mãe desde meus oito anos.

Contrato um escritor, o autor da minha perdição e torne-se o delator, o Judas ao conhecer meus passos e as trilhas que trouxeram-me até aqui. Ouça-me com atenção altruísta da insensibilidade, haverá um momento que me fará um último favor ao descrever a vida da qual eu tanto amei e assim, peço para que não a torne tão incrível perante aos demais, pois eles o tratarão com um descaso impecável. Digo-lhe mais, peço gentilmente que não esqueça os flagelos, as tramas, dramas e as dissimulações que obrigaram-me a navegar tão jovem.

Guarde a sete chaves as frustrações, as incansáveis demonstrações de hombridade que deixei trancado naquele cofre, pois como a caixa de pandora estes percalços fizeram-me alimentar convicções que por sua vez, tais convicções me traíram e restando-me saborear o gosto amargo do véu além de enxergar os anos que se foram em vão.

Ah, caçador de mim. Liberte-se deste desnecessário dever, ouça o sexto sentido que aflora dentro de ti e, não olhais para trás… Um novo dia chegará e inclinarei os meus ouvidos perante um lindo hino, sentirei a presença do Altíssimo e pedirei permissão para erguer minha cabeça enquanto meu coração encontrará o conforto que tanto relataram e clamaram diante daqueles verdadeiramente amados.

Vamos lá, deixe um comentário ; )

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s