O Televisor

*Créditos: Obra de Vinicius Quesada

O televisor que não desliga. A programação que às vezes instiga é a mesma que aliena. Jurisprudência moderna é viver conectado com tudo. Não somos mais nada neste mundo. Descartável igual o sexo, o amor, o apego. Não me venha falar de pré-conceitos. Vamos todos agora morrer de medo. As crianças que morrem de fome já não são mais importantes como nossos animais de estimação. Olha pro céu e veja este mundo de cão. Rosnando, babando, latindo ou miando por nossos vícios. O corredor dos loucos é um caminho escuro. Normal, indiferença, este sentimento é o que irá aniquilar as nossas carências. Perdidos.

O televisor que não desliga. Na madrugada resta a pornografia, o erotismo barato, chulo, utópico traz ao nosso olhar o calor. A vida que não tem sentido. O dinheiro é o nosso atual combustível, a água que irá matar a nossa sede. O país de ponteiros descontrolados. Aquele que grita por socorro, a voz que precisa ser ouvida. A alma que procura cura e saída. A prisão e o seu perigo nas noites frias. Cadê as tias? Cadê os tios? Cadê meu pai? Já sei, é tarde demais para encontrar.

O televisor que não desliga. Quase ninguém dorme nessa cidade. Pessoas se expressam por tudo. Desejam não morrer sozinhas. Sonham ainda em constituir família. A saudade bate em tantas portas. O coração sempre pede licença e a razão sempre condena. Aquele que aprendeu com o amor a viver. Aquele que já cresceu com ódio sem querer. Nossas crianças já nascem sabendo escolher.

*Imagem: Vinicius Quesada (http://viniciusquesada.tumblr.com/)

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