O que nos alimenta?

Não sei bem, mas acabei pensando nesta pergunta. Não faço ideia alguma e nem pelo qual motivo veio este pensamento gastronômico caso realmente eu fosse falar o que eu tenha comido nas últimas horas, ontem ou semanas atrás. Mas desta vez não será esse o assunto literalmente falando e sim sobre as vontades, desejos, sonhos, realizações ou até mesmo o que nos impulsiona a viver e a pensar em o que nos alimenta – o que realmente precisamos?

Certa vez, ouvi alguém dizer que a fé o lhe impulsionava. Passado algum tempo vi uma mãe falar que o seu alimento era poder ver seus filhos crescer. Em outro momento, uma pessoa comentou que se alimentava da própria vida e agradecia a Deus por cada amanhecer, e pela oportunidade de ter em abrir os olhos para ver as pessoas que tanto amava. Depois de um tempo outras pessoas estavam abertas e confiantes para compartilhar o que as alimentavam, algumas histórias eram engraçadas, outras tristes e algumas de superação. Mas, independente da história todas elas tinham grandes exemplos de vida e que esses ensinamentos seria naquele momento uma doação ou acabaria se tornando um presente para os demais. Estávamos numa sala, sentados um ao lado do outro formando um circulo, aos meus olhos taticamente deixávamos ao mesmo tempo uns de frente para o outro. Havia também um mentor e ele estava responsável de mencionar palavras calmas, de livre espírito, fazendo que naquele momento nossos corações fossem tocados por um sentimentalismo barato. Também após ter mencionado sobre as “flechas inflamáveis do amor”, pensei. Como uma flecha inflamável seria algo de amor? Como está definição metafórica tocaria alguém?

Porém, meus pensamentos e questionamentos não impedia nenhuma daquelas pessoas de serem tocadas por “arrependimento” e nem as tornariam mais resistentes ou endurecidas pelas amarguras da vida, sendo que ao olhar em seus olhos já conseguia sentir uma frieza de congelar qualquer lágrima que pudesse surgir. Enfim, até eu não sabia mais o que estava fazendo ali e já nem queria saber por que estava fazendo parte daquele grupo de anônimos cercado de nomes fictícios e traumas fantasiados de fantasmas – cadê o Gasparzinho?

Certamente como vocês acha tudo aquilo uma verdadeira loucura, mas tudo estava tranquilo e não tinha nenhum perigo. Eram apenas pessoas cercadas de puro desabafo, alivio. Eram histórias, revoltas, magoadas com alguém ou consigo mesmo, e acredite isso é diferente de fraqueza. Pois, existia muita coragem para poder compartilhar suas vidas, seus sonhos e pesadelos junto a pessoas que nunca viram, não tinham nenhum vinculo – o que realmente nos alimenta?

Passado uma hora resolvi abrir a minha boca diante daquelas vinte pessoas, resolvo compartilhar alguma mentira ou verdade, alguma história, algum conto. Éramos apenas uma célula de traumas tirando o peso que existia em nossos ombros, éramos nada mais que “arrependimento”, culpa. E já tinha ouvido quando era jovem que o pior sentimento era o remorso e que este sentimento jamais deveria ser carregado.

Gostaria de ter falado isso para aquelas pessoas, mas confesso que quando elas olharam fixamente para minha face, inclinei brevemente minha cabeça para baixo, levantei em seguida e retornei a olhar um a um, depois olhei para aquele que se dizia ser o mentor daquela cúpula de remorso e falei: “O que nos alimenta?”, “O que realmente precisamos para viver em paz”? – e todos ficaram calados olhando uns aos outros, em seguida dei as costa e segui em direção à porta sem dizer mais nenhuma palavra.

Vamos lá, deixe um comentário ; )

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